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  • Síntese acerca do Enigma do Capital e as crises do capitalismo de David Harvey por Cynthia Grazielle Batista Mello Rodrigues

    Em seu quarto capítulo, intitulado “O Capital vai ao mercado”, Harvey (2010, p. 91) aborda a particularidade da mercadoria – em forma de coisa ou serviço – de ser convertida em dinheiro e lucro para a realização da acumulação perpétua. Em seguida, alude ao conceito de fetichização da mercadoria, de Karl Marx, ao relacionar o desejo à geração de valor à mercadoria, resultando, por fim, no consumo.

               Neste capítulo, além disso, Harvey (2010) define boa parte das crises cíclicas do capitalismo, como a Grande Depressão, como um evento diretamente associado ao subconsumo. Nesse sentido, ressalta a relevância do papel interno dos capitalistas no reinvestimento do excedente a fim de promover a circulação de capital em virtude do aumento de consumo pela população e a geração de postos de trabalho, além do papel relevante do crédito para a atenuação dessas crises de subconsumo.

               Harvey (2010) pontua que o capitalismo possui inúmeras dinâmicas internas de funcionamento que são responsáveis em grande parte pelas suas próprias crises, citando a monopolização excessiva e sua consequente perda de competitividade e “estagflação” (inflação + desemprego) – conceito retirado do livro “Capitalismo Monopolista”, de 1960 – ou mesmo crédito, que “mitiga a crise, mas pode acumular contradições e tensões” (Harvey, 2010, p. 99). E dessa forma, o fluxo de circulação de capital está constantemente submetido a fatores internos que o retardam ou o interrompem, então as tendências de crise nunca se esgotam, apenas se deslocam.

    Dessa maneira, o capitalismo sempre se apresenta como um sistema inerentemente contraditório, embora, como pontuou Harvey (2010), as crises sejam necessárias à evolução desse modo de produção, mesmo que custem normalmente às condições de vida da classe popular e da natureza.  

     HARVEY, David. The Golden Age and its Demise. In: HARVEY, David. The enigma of capital and the crisis this time. Reading Marx’s Capital with David Harvey, v. 30, 2010.


  • O agro é tech, e os trabalhadores não são pop

    O agro é tech, e os trabalhadores não são pop

    Robôs, satélites e criptomoedas. O setor que se apresenta como futuro do Brasil e da produção de alimentos não consegue responder a uma pergunta básica: o que será dos trabalhadores?

    Compreender quais serão as próximas fronteiras tecnológicas a serem desbravadas pelo agronegócio parecia uma tarefa penosa. Um trabalho de meses que, talvez, nem respondesse a todas as perguntas que tiravam a nossa paz. 

    Após apenas algumas semanas, porém, chegamos a um resumo: não se sabe ao certo se estamos no agro 4.0 ou se já saltamos ao 5.0 – há quem fale em 6.0. Não se sabe bem qual é o conjunto de inovações que estão sendo criadas. Sabe-se que corporações do agronegócio e da alta tecnologia estão caminhando de mãos dadas. Mas, ao final, a equação ignora totalmente um “detalhe”: o impacto que tudo isso terá na vida e no trabalho de milhões de agricultores familiares e trabalhadores da zona rural.

    “Algumas pessoas ficarão pelo caminho no processo de automatização de cérebros”. A fala do representante de multi-industry business development da IBM, Luiz Carlos Faray de Aquino, foi um dos raros momentos nos quais se admitiu a possibilidade de que as tecnologias do agro 4.0 causem desemprego. Durante um webinar, respondendo à pergunta de um espectador, ele afirmou que uma possível solução para o problema seria a instituição de uma renda básica. 

    No geral, porém, as dezenas de relatórios e análises que encontramos; as entrevistas que fizemos; as organizações governamentais que trabalham com o tema; todos têm se ocupado mais em listar inovações que em pensar nos impactos sociais, ambientais e econômicos das novas tecnologias. 

    “Algumas pessoas ficarão pelo caminho no processo de automatização de cérebros”

    Calma. Para chegar lá, vamos começar pelo começo: entender o que as figuras da área vêm chamando de “Agro 4.0” – a incorporação de tecnologias digitais avançadas como big data, inteligência artificial e robótica à produção agrícola. Entender esse movimento significava, para nós, saber quais técnicas e ferramentas ele mobiliza e quais são suas consequências do ponto de vista social, ambiental e econômico. 

    Fonte: Nathália Iwasawa & Marcos Hermanson – O Joio e O Trigo [1]


    [1] Nathália Iwasawa & Marcos Hermanson – O Joio e O Trigo – https://ojoioeotrigo.com.br/2021/03/o-agro-e-tech-e-os-trabalhadores-nao-sao-pop ↩︎