Robôs, satélites e criptomoedas. O setor que se apresenta como futuro do Brasil e da produção de alimentos não consegue responder a uma pergunta básica: o que será dos trabalhadores?
Compreender quais serão as próximas fronteiras tecnológicas a serem desbravadas pelo agronegócio parecia uma tarefa penosa. Um trabalho de meses que, talvez, nem respondesse a todas as perguntas que tiravam a nossa paz.
Após apenas algumas semanas, porém, chegamos a um resumo: não se sabe ao certo se estamos no agro 4.0 ou se já saltamos ao 5.0 – há quem fale em 6.0. Não se sabe bem qual é o conjunto de inovações que estão sendo criadas. Sabe-se que corporações do agronegócio e da alta tecnologia estão caminhando de mãos dadas. Mas, ao final, a equação ignora totalmente um “detalhe”: o impacto que tudo isso terá na vida e no trabalho de milhões de agricultores familiares e trabalhadores da zona rural.
“Algumas pessoas ficarão pelo caminho no processo de automatização de cérebros”. A fala do representante de multi-industry business development da IBM, Luiz Carlos Faray de Aquino, foi um dos raros momentos nos quais se admitiu a possibilidade de que as tecnologias do agro 4.0 causem desemprego. Durante um webinar, respondendo à pergunta de um espectador, ele afirmou que uma possível solução para o problema seria a instituição de uma renda básica.
No geral, porém, as dezenas de relatórios e análises que encontramos; as entrevistas que fizemos; as organizações governamentais que trabalham com o tema; todos têm se ocupado mais em listar inovações que em pensar nos impactos sociais, ambientais e econômicos das novas tecnologias.
“Algumas pessoas ficarão pelo caminho no processo de automatização de cérebros”
Calma. Para chegar lá, vamos começar pelo começo: entender o que as figuras da área vêm chamando de “Agro 4.0” – a incorporação de tecnologias digitais avançadas como big data, inteligência artificial e robótica à produção agrícola. Entender esse movimento significava, para nós, saber quais técnicas e ferramentas ele mobiliza e quais são suas consequências do ponto de vista social, ambiental e econômico.
Fonte: Nathália Iwasawa & Marcos Hermanson – O Joio e O Trigo [1]
[1] Nathália Iwasawa & Marcos Hermanson – O Joio e O Trigo – https://ojoioeotrigo.com.br/2021/03/o-agro-e-tech-e-os-trabalhadores-nao-sao-pop ↩︎

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